Morto padre Toni Vendramin, PIME: foi o primeiro missionário no Camboja

padre toni vendramin pime camboja

A Igreja Católica do Camboja e o PIME lamentam a morte de padre Toni Vendramin, pioneiro após os anos de Pol Pot.

Aos 78 anos, o missionário italiano do PIME, morreu: foi o primeiro sacerdote a retornar definitivamente ao Camboja depois de tantos anos de terror.

Ele havia sido hospitalizado por várias semanas no Royal Phnom Penh Hospital por causa de pneumonia.


LEIA TAMBÉM: REDES SOCIAIS, NOVOS MEIOS DE EVANGELIZAÇÃO E ANIMAÇÃO MISSIONÁRIA, TAMBÉM NO CAMBOJA


Primeiro missionário no Camboja depois do Khmer Vermelho

Natural da província de Treviso, sacerdote desde 1969, o padre Vendramin foi missionário em Bangladesh por 15 anos, antes de partir para o Camboja quando o governo do Khmer Vermelho deu os primeiros sinais de abertura.

As Irmãs de Madre Teresa foram convidadas pelo governo: queriam voltar definitivamente, mas procuravam um padre que as acompanhasse. As freiras disseram ao governo: voltaremos ao Camboja, mas queremos a garantia de ter um padre conosco para celebrar a missa.

Em 23 de novembro de 1990, junto com quatro religiosas das Missionárias da Caridade, padre Vendramin embarcou em um vôo de Hong Kong para Phnom Penh.

“Chegamos sem visto, mas com uma carta-convite do primeiro-ministro Hun Sen; no aeroporto não sabiam o que fazer. Todo o Camboja foi reduzido a um campo de trabalhos forçados e extermínio de seu próprio povo, em nome de uma ideologia aberrante e criminosa“, escreveu o padre, em uma carta, alguns dias depois de ter entrado no país.

Um país destruído e sem igrejas

As Missionárias da Caridade começaram a recolher os enfermos ou os mendigos que dormiam na rua; depois cuidaram de crianças abandonadas ou com Aids.

Não havia igrejas, estávamos em casas particulares para celebrar a missa”, lembrava padre Vendramin.

“No final de 1990 conseguimos voltar a um dormitório do seminário menor: foi lá que celebramos o primeiro Natal, uma experiência muito forte. Mas não pude ir além de um raio de 20 quilômetros de Phnom Penh”.

“Só com a chegada das Nações Unidas para as eleições de 1993 a liberdade de circulação melhorou e foi possível começar a reorganizar a Igreja”.


ESTÁ PROCURANDO UM DOS NOSSOS LIVROS? ACESSE A NOSSA LOJA VIRTUAL


Os últimos anos de vida e as transformações do Camboja

Nos últimos anos, padre Toni liderava a paróquia de São Pedro, na área do aeroporto da capital do Camboja. Enquanto o governo permitia, ele também ia para a prisão uma vez por mês para visitar os prisioneiros.

“Ir no Camboja foi uma experiência muito profunda para mim. Em Phnom Penh, tudo mudou: onde havia apenas duas ou três ruas pavimentadas hoje há arranha-céus de 40 andares construídos pelos chineses. Mas as feridas do passado permanecem, mais ou menos abertas ou ocultas”, contou o ano passado durante um encontro organizado pelo PIME.

“Quanto à presença católica, em todas as missões hoje há creches, às vezes até o ensino fundamental. Juntamente com estruturas básicas, lares para deficientes, outras iniciativas sociais tanto em nível diocesano como nacional. A cidade cresceu, mas esta nossa Igreja também cresce a passos pequenos“, contou.

Fonte: Mondo e Missione

doação ou assinatura mundo e missão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *