Dario, leigo PIME: “Nos Camarões procurando água e anunciando o Evangelho”

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A África é muitas vezes usada como imagem da desigualdade. Em relação à água, essa imagem parece fazer ainda mais sentido. Por exemplo, em todo o continente africano, os recursos de água doce representam cerca de 9% do total mundial.

Porém, cerca de 14% da população (160 milhões de pessoas, igual a um habitante em cada sete) vive atualmente em condições de escassez de água.

Um dos países onde se sente mais esta falta é os Camarões: lá está trabalhando um jovem leigo italiano, Dario Leoni, experto na construção de poços.

O valor da água no Continente Africano

Os dados que acabamos de citar foram recentemente publicados pelas Nações Unidas no Relatório do Desenvolvimento Mundial da Água 2021 intitulado “O valor da água”.

O documento relata que nos últimos 100 anos o uso de água doce aumentou seis vezes e continua a crescer a uma taxa de 1% dos anos ’80 por causa do crescimento populacional, do desenvolvimento econômico e das mudanças nos padrões de consumo.


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Isso determina o fenômeno do estresse hídrico, ou seja do uso da água em função das reservas disponíveis, que atinge grandes áreas do planeta.

De fato, mais de 2 bilhões de pessoas vivem em países sujeitos a esse fenômeno, onde muitos dos principais aquíferos estão sujeitos a estresse crescente, com 30% dos principais sistemas de água subterrânea em estado de deterioração (a causa principal é a retirada de água para irrigação).

Uma situação preocupante

A África é o continente mais afetado por esse fenômeno. Conforme os dados divulgados pelas Nações Unidas, na região árabe, aproximadamente 86% da população (362 milhões de pessoas) vive em condições de escassez ou absoluta de água.

Entre o Oriente Médio e o Norte da África, há 14 países que usam mais de 100% dos recursos de água doce disponíveis, levando à dependência de águas transfronteiriças, aquíferos não renováveis ​​e recursos hídricos não convencionais.

A Onu fala também que a situação dos reservatórios é preocupante porque a expansão deles não acompanhou o crescimento populacional e a capacidade de armazenamento está cada vez mais diminuindo devido à sedimentação, superexploração das águas subterrâneas e perdas crescentes de águas superficiais devido ao aumento das temperaturas.

Dario, procurando água nos Camarões

Os missionários trabalharam muito na África, ao longo da história, na procura de fontes de água e na construção de poços. Dario Leoni, missionário leigo do Alp (Associação leigos do PIME) há três anos trabalha no Norte dos Camarões procurando águas subterrâneas com técnicas geofísicas.

Dario Leoni, missionário leigo do ALP PIME nos Camarões

“Trabalhamos para tentar melhorar as condições de acesso à água potável das populações, premissa fundamental para o desenvolvimento de qualquer comunidade”, explica.


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“As obras realizadas até poucos anos atrás, os poços tradicionais, são muito rasos e retiram água de aquíferos mais expostos à contaminação da superfície. Para fornecer água potável mais limpa, portanto, é necessário ir mais fundo”, conta Dario.

Que como missionário leigo levou até a África não unicamente a sua experiência, mas também a preparação profissional.

Testemunhar o Evangelho é “lutar” para os irmãos

“Para nós, católicos, a irmã água não é uma mercadoria, é um símbolo universal e é fonte de vida e saúde”, disse recentemente o Papa Francisco.

E Dario confirma: “A água á algo que une toda a comunidade e lhe dá um novo rumo. Me lembro que um dia fomos chamados pelo prefeito de uma pequena cidade onde chegaram muitas pessoas que estavam fugindo de suas terras e dos ataques dos terroristas de Boko Haram. Para essas centenas de deslocados a comunidade local criou abrigos e possibilidades de trabalho. Mas faltava a água”, lembra o leigo do PIME.

“Fomos e trabalhamos para procurar um lugar certo. Que encontramos. Na hora da chegada das máquinas para cavar o solo toda a comunidade estava presente. Quando chegou a água foi o sinal que uma nova vida era possível, uma nova história era acreditável para centenas de famílias que começaram a pensar de forma diferente ao futuro”.

“Agradeço e encorajo todos aqueles que, com diferentes habilidades profissionais e responsabilidades, trabalham em prol deste objetivo muito importante”, disse o Santo Padre em ocasião do Dia Mundial da Água, em março deste ano, pensando mesmo na missão de tantas pessoas que como Dario lutam para dar futuro aos irmãos.

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