Além dos Estereótipos

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

O que é o Oriente Médio? Uma terra refém de obscurantista e atrasada, onde é inevitável embater-se na mentalidade árabe em que domina o pensamento islâmico e, ainda mais, o “fanatismo islamista”. Nas não é bem assim. A jornalista Chiara Zappa nos ajuda a entender melhor aquele mundo complexo, mas sempre, absolutamente humano.

A imagem desta parte do mundo foi corrompida por uma série de estereótipos que influenciam não somente a opinião pública mundial, mas também a política, induzindo-a frequentemente a tomar decisões estratégicas ineficazes e contraproducentes.

A incompreensão entre o Ocidente e Oriente Médio (que vai da África do Norte até o Afeganistão) enraíza-se numa longa história de conflitos que, desde as Cruzadas até à era colonial, cristalizaram pesadas barreiras ideológicas, tão resistentes que o olhar sobre o outro permanece “engaiolado” em leituras superficiais.

Se é evidente a necessidade de fundamentar sobre bases mais sólidas o conhecimento deste universo, interessante é a contribuição proposta por Ugo Fabietti, docente de Antropologia Cultural, no Oriente Médio: Uno sguardo antropologico (Uma visão antropológica, tradução livre) em que propõe “uma leitura das culturas e das sociedades do Oriente Médio que utiliza os instrumentos de uma disciplina, como a antropologia, diferentes dos da historiografia, ciências políticas ou geopolítica”.

Professor, o senhor afirma que a própria identidade dos povos do Oriente Médio tem sido influenciada pela geopolítica: em que sentido?

No Oriente Médio vivem muitas comunidades diferentes por cultura, língua e religião que, com a fundação dos Estados Nacionais, foram territorialmente encorpadas ou separadas de tal maneira que grupos homogêneos hoje fazem parte de nações diferentes. O quadro histórico da formação de certas entidades político-administrativas ajuda a entender os seus limites frente a uma série de elementos que foram emergindo nos últimos 60 anos. É suficiente mencionar a fundação do Estado de Israel e à questão palestina, mas também ao fato que o poder, em muitos dos estados pós-coloniais, permaneceu nas mãos de quem, mais do que procurar o bem da população, permanecia conivente com os antigos colonizadores.

Antigamente para explicar estas dinâmicas utilizava-se o pan-arabismo. Hoje está acontecendo algo novo? Uma nova identidade baseada na religião está substituindo a tradicional modelo tribal?

O fato que hoje a reação ao Ocidente possa assumir uma conotação religiosa, ao invés que tribal, é coerente com a contemporaneidade porque a ação de novos fatores comunicativos, como a presença da imprensa, favorece quem está à procura de um motivo indenitário e opositivo comum. Uma escolha bastante óbvia, se pensamos que, no último século, bem poucas foram as ideologias leigas elaboradas nesta área. Depois do tramonto do pan-arabismo, que tinha uma forte impronta socialista, o que sobrou?

Pode-se dizer que alguns fenômenos violentos dependem do desejo de afirmar a própria identidade?

Para responder é precisa muita cautela. De fato, o modelo que muitos grupos jihadistas utilizam para reclutar os seus adeptos é ligado não tanto ao islã quanto à enfatuação por alguns “mitos” midiáticos. Em primeiro lugar é preciso nos lembrarem que nos países do assim dito Oriente Médio metade da população é constituída de jovens muitas vezes desempregados e à procura de “redenção”. Uma redenção que pode ser encontrada aderindo a um grupo, a uma seita ou a uma escola islâmica que ofereça uma identidade, e uma segurança de pertencer a um grupo. Além disso, em muitos destes países, uma parte da população padece o fato que o Ocidente tenha “exportado” modelos administrativos e culturais que não fazem parte da sua história.

Chiara Zappa

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.
Telefone: (11) 5549-7295
Fax: (11) 5549-7257
Rua Joaquim Távora, 686
04015-011 Vila Mariana, São Paulo - SP