Ana: a força da oração

Aprendendo com as mulheres da Bíblia

O ano mariano é oportunidade especial que a Igreja do Brasil nos oferece para contemplarmos a mãe de Jesus como modelo para cada um de nós. Ela também contemplou os exemplos transmitidos por muitas mulheres do Primeiro Testamento. Nos encontros anteriores apresentamos Sara, Agar, Sefra e Fua (as parteiras do Egito), Débora e Jael. Hoje vamos apresentar Ana a partir dos capítulos 1 e 2 do primeiro livro de Samuel.

anaUma mulher pobre e estéril

Seu nome é Ana que significa “graça” ou “graciosa”. É pobre, estéril e desprezada. É uma das mulheres casadas com Elcana. A outra mulher, Fenena, possuía filhos e, por isso, sentia-se agraciada diante de Deus. Apesar de ser amada por seu marido, Ana sentia-se abandonada por Deus devido à sua condição de esterilidade.

Esta história foi escrita provavelmente no século VI a.C, durante o Exílio na Babilônia. A teologia oficial, conhecida como “teologia da retribuição”, afirmava que tanto a pobreza como a esterilidade eram sinais de castigos divinos. Ana, portanto, sente-se como uma pecadora, desprezada não só por Fenena, mas também se sente rejeitada pelo próprio Deus.

Ana e a situação do povo

Ana personifica a própria situação do povo de Israel. Em vários momentos de sua história o povo sentiu-se fraco e abandonado. Especialmente no tempo do exílio, a sensação era de abandono e de desprezo por parte das outras nações. Pensavam de ser um povo abençoado por Deus, porém a triste realidade em que vivem os faz tomar consciência de serem pecadores e merecedores de castigo. Diante de um futuro sem perspectivas aumenta a desesperança. De onde poderá vir o socorro para este povo?

Existe um precioso fio que perpassa toda a Bíblia: Deus jamais deixa de ouvir o clamor das pessoas que sofrem. A “teologia da retribuição” não conseguiu abafar esta verdade.  Ana agarra-se a este fio com todas as suas forças. “Cheia de amargura, rezou ao Senhor, chorou muito” e fez a promessa de consagrar o filho ao serviço de Deus.

Aprendendo com Ana

Quando Lucas escreveu a história de Maria e do nascimento de Jesus inspirou-se na história de Ana e do nascimento de Samuel. Deus revelou-se na vida destas mulheres. Através de Ana Deus concedeu ao povo de Israel um santo profeta e juiz. Através de Maria de Nazaré Deus concedeu à humanidade inteira o Salvador.

A esterilidade, isto é, as situações sem saída, não são provenientes de Deus; elas são consequências de escolhas humanas. Deus é fonte de fertilidade para todos os que lhe prestam atenção e seguem sua vontade. Ana é uma de nossas Mães na fé. Ensina-nos a levantar-nos e nos posicionar perante Deus e perante o próximo. Quem busca, encontra; quem pede, recebe; a quem bate lhe será aberto (cf. Lc 11,5-13). Através de todas as pessoas de boa vontade que procuram a Deus de coração sincero, ele realiza maravilhas. Ana é cada um de nós hoje.

 

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Para dialogar e agir

Ler e contar com as próprias palavras: 1Sm 2,1-10.
Personagens que aparecem no texto: o que diz e o que faz cada um deles?
Com que objetivo esta história era lembrada no meio do povo de Israel?

Publicado no Jornal Missão Jovem de maio 2017

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