Apóstolo Paulo

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O Apóstolo Paulo, um “Atleta” do Evangelho pelo mundo (1Cor 9, 24-27)

Apostolo Paulo, pintura de Lievens
A
paixão missionária modelou a consciência de Paulo a ponto de se tornar critério de avaliação. O Evangelho determina se uma coisa é boa ou não, se é oportuna ou não, se deve ser feita ou não. Um exemplo: Paulo tinha direito, como os demais evangelizadores, de ser mantido pela sua comunidade. Direito reconhecido pela lei de Moisés (“não colocar mordaça no boi que ajuda a debulhar os grãos de tua colheita” – Dt 25, 4) e aprovado pelo próprio Senhor Jesus: “Aqueles que anunciam o Evangelho, que vivam do Evangelho” (1Cor 9, 14). Contudo, ele não se vale deste direito, mesmo legítimo, para não “causar obstáculo ao Evangelho de Cristo”. E prefere, portanto, viver do trabalho de suas mãos: “Não comemos gratuitamente o pão de alguém, mas labutamos noite e dia para não ser um peso a nenhum de vocês” (2Ts 3, 8).

Paulo raciocina do mesmo modo também a respeito das carnes dos animais sacrificados aos ídolos. Carne vendida a preço baixo. Por si, é lícito comê-la, pois os ídolos não existem. Mas, para a consciência de Paulo, isto não basta. A consciência evangélica é regida pela verdade e pela caridade. A verdadeira consciência está atenta também às repercussões que o uso de tais direitos provoca em outros: “Cuidem para que a vossa liberdade não se torne ocasião de escândalo aos fracos” (1Cor 8, 9).

A atenção à consciência dos outros é para o cristão um verdadeiro critério ético. Para Paulo isto é óbvio, tanto que fala: “Se um alimento escandaliza meu irmão, não comerei mais dele, para não escandalizar meu irmão” (1Cor 8, 13). Na linguagem bíblica, escândalo indica um tropeço da fé, algo que torna mais difícil acolher o Evangelho ou enfraquece aqueles que o acolheram há pouco tempo. São, sobretudo, estes os fracos de que fala Paulo.

A figura de consciência missionária é, para Paulo, uma regra a ser sempre aplicada. Ao se referir a si mesmo, ele diz a cada cristão: “Fiz-me o servo de todos, a fim de ganhar o maior número possível” (1Cor 9, 19). O termo “todos” indica o horizonte universal na direção em que sua consciência de missionário se projeta.

Para ilustrar seu discurso em Corinto, onde a corrida e o pugilismo eram os dois esportes mais populares, Paulo recorre à figura do atleta: “Os atletas são disciplinados em tudo” (1Cor 9, 25). O termo “disciplinado” significa o homem dono de si, capaz de dominar-se, concentrar-se e renunciar a tudo o que poderia obstruir sua corrida.

Esta capacidade de renunciar era considerada na filosofia antiga como fundamento de toda virtude. Era considerada a condição mais necessária para se tornar um atleta. Como um atleta, Paulo também renuncia a tudo, concentrando-se em sua corrida, mas a semelhança termina aqui. Para o atleta, a linha de chegada – pela qual renuncia a tudo e se empenha totalmente – é a vitória, a afirmação de si. Para Paulo é o contrário: a linha de chegada é o Evangelho (1Cor 9, 23) e a salvação dos outros (1Cor 9, 19).

Publicado na Revista Mundo e Missão de maio 2017
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