Bailarinas do Cairo: a arte toma posição

Idealizado por um fotógrafo egípcio, o projeto desperta a atenção não só para a arte, mas também se manifesta contra as violências sofridas pelas mulheres.

Mohamed Taherbailarina

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om piruetas, contorções e saltos elásticos perfeitos, bailarinas tomam as ruas de Cairo, no Egito, como um protesto ao assédio sexual sofrido por mulheres nas ruas da capital egípcia, todos os dias. A iniciativa do fotógrafo Mohamed Taher tem justificativa: um estudo da ONU revelou que 99,3% das mulheres egípcias já sofreram algum tipo de constrangimento ou ameaça de assédio sexual. A violência, até então, era um modo de confiná-las em casa, sem o direito de ocupar as ruas.

bailarinaEm “Bailarinas do Cairo”, porém, elas estão livres de qualquer ordem. Em meio à vibrante cultura egípcia, elas dançam e saltam em nome da arte, para além do gênero que, no cotidiano, as aprisiona em lares e véus. O projeto fotográfico veio, portanto, como uma forma de lutar contra qualquer tipo de opressão e reconquistar o direito de andar livremente pelas ruas do Cairo, sem medo de saltar e ser feliz por aí.

“Nós recebemos diversos depoimentos de garotas que gostariam de poder fazer isso. Elas querem dançar, querem ser livres. Elas querem ter o direito de apenas caminhar pelas ruas da cidade sem medo”, explica o fotógrafo e autor da iniciativa.

bailarina“Bailarinas do Cairo” é um projeto que nasceu em 2016, quando Mohamed Taher e Ahmed Fathym, com a colaboração da bailarina Mariam El Gebali, começaram a divulgar fotos da performance de dança realizada em Heliópolis, um bairro da capital egípcia. O projeto tem como objetivo reapropriar-se das ruas e da dança através de performances em lugares públicos, imortalizadas por uma série de cliques, e depois serem expostos ao grande público. A finalidade, além de libertar a arte das restrições e imposições externas, inclui também a luta contra a violência machista.

Muitas pessoas acolhem o desafio e param para admirar as performances. Cada vez mais bailarinas se propõem a participar e os egípcios apreciam o projeto. O sucesso das “Bailarinas do Cairo” está crescendo, apesar de ser ignorado pelas autoridades culturais egípcias.

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Publicado no Jornal Missão Jovem de maio 2017

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