Dogon o povo das estrelas

Máscaras do povo Dogon - Málí

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O povo Dogon habita regiões de Bukina Fasso e, majoritariamente do Mali, país da África Ocidental. É um povo capaz de, através dos movimentos dos astros celestes, elaborar uma cosmologia complexa e refinada, em profunda e quase mística harmonia com a natureza. Assim, nos anos quarenta do século passado, o antropólogo francês Marcel Griaule descrevia os dogon do Mali, e ainda hoje este é o imaginário que atrai aqueles que ingressam em sua belíssima terra no coração da África. O cenário natural, por si só, vale a viagem: a população dos dogon, que hoje conta com cerca de 240 mil pessoas, vive na falésia de Bandagara, uma parede rochosa a pique, composta de rocha sedimentar, que representa um dos maiores sítios de importância arqueológica, etnológica e geológica da humanidade.

 O ponto de partida para qualquer itinerário é a cidade de Bandiagara, a cem quilômetros a leste de Mopti (na confluência dos rios Níger e Bani, entre Timbuktu e Ségou, ndr), para depois inevitavelmente passar por Sangha. Para fugir das representações feitas de propósito para turistas, é aconselhável não parar nos primeiros vilarejos depois de Sangha, mas prosseguir até os mais remotos e mais próximos da fronteira com Burkina Fasso. É preciso caminhar a pé na região dos dogon porque, aí chegando de outro modo, como dizia o poeta italiano Cesare Pavese, “faz a mesma diferença entre ver a água e pular dentro dela”.

Festividade

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 Vistos da planície árida, que antigamente era uma savana verdejante, os assentamentos de cabanas com o teto de palha e os celeiros em formato de torres lembram estábulos agarrados à rocha amarelada. As danças para os turistas e as máscaras vendidas em casas de comércio são o excelente modo que o povo dogon encontrou para evitar a entrada muito adentro do seu espaço íntimo, ainda que as danças apresentadas sejam originais, e representam o rito talvez mais significativo e antigo da sua cultura animista.

 Aproximar-se, com discrição, da espiritualidade dogon é até possível. Lá se achega sobretudo através da arte, o trabalho de escultura pelo qual este povo se tornou famoso, uma arte totalmente empapada de religiosidade. As estátuas longilíneas representam frequentemente a deusa mãe, evocam a fertilidade e a sacralidade da natureza.

Esculturas

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As obras mais antigas foram levadas embora por colecionadores europeus, mas os artesãos locais as reproduziram e as inseriram nas habitações: pois não é raro ver as estacas de madeira que sustentam o telhado das casas esculpidas com formas femininas.

Este passeio na terra dos dogon não é para todos e, neste período de conflitos, exige certa atenção e precaução. Mas é uma experiência impossível de ser esquecida.

 

Publicado na Revista Mundo e Missão de agosto de 2017

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