Guiné-Bissau: A grama esmagada e as raízes

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criaça da Guinea Bissau

Quando os elefantes brigam, a grama ‘paga o pato’.
O que cresce lentamente deita raízes profundas.

Quero dividir com vocês dois provérbios africanos. Um me ajuda a ler e interpretar o momento presente, em âmbito sociopolítico estamos vivendo na Guiné-Bissau e o outro me dá a chance de me atualizar sobre nosso empenho nas escolas autogeridas.

Comecemos pelos “elefantes”

Eles simbolizam os “grandes”, os poderosos. Quando discutem entre si, quem paga as consequências é o inocente capim, isto é, as vítimas das disputas sem fim dos que estão no alto.

Infelizmente, a situação atual que o país vive é fruto destas contendas e ameaças entre os políticos que, desde agosto de 2015 paralisam o parlamento e o suceder-se de governos de brevíssima duração. Recentemente, foi nomeado um novo primeiro-ministro, a quem cabe conduzir o país às eleições de 2018. Mas muitos não acreditam no sucesso desta enésima tentativa, visto que as polêmicas continuam. Assim, as consequências recaem sobre os mais frágeis, sobre os que não têm voz e nem vez no lamentável espetáculo.

Quantas crianças, adolescentes e jovens ainda não têm nas mãos canetas e cadernos por causa da interminável greve de professores, que protelou o início do ano escolar. A crônica instabilidade política gera um clima geral de desconfiança e resignação, certa atmosfera sufocante a partir das controvérsias que se ouve pelo rádio. Alguns comerciantes aumentam os preços dos produtos básicos, colocando mais ainda de joelhos a economia das famílias mais pobres.

A árvore que cresce lentamente

Vamos imaginar a árvore, no segundo provérbio, em tons diferentes. É o elogio da constância e da tenacidade muitas vezes pouco visíveis, como escondidas e profundas estão as raízes, mas capazes de permitir à árvore um crescimento sadio e forte. É um provérbio que repito a mim mesmo e que sempre me faz retomar o caminho. Ele se refere, em especial, ao nosso compromisso com as cinco escolas autogeridas, uma aventura iniciada há mais de dez anos pelo padre Roberto Donghi, que depois herdei.

Se dia após dia a gente se limita a procurar sucessos e progressos, corre o risco de ficar iludido, porque parece que nada muda ou que se dá marcha a ré. Ao contrário, nestes dez anos as escolas subsistem e crescem e, no contexto geral da instabilidade, infundem esperança. E isto é fruto do auxílio que os benfeitores dão aos nossos alunos, para que tenham um futuro melhor.

Eis algumas boas notícias

– Neste ano, o total de matriculados nas cinco escolas passa de 1.800, com quase 50% de meninas.

– Os nossos 38 professores são os mesmos de dois anos atrás, apesar das constantes migrações para a capital, Bissau. Portanto, vale a pena investir na formação deles, graças às inovações didáticas e aos métodos introduzidos no ano passado pela Associação Leigos Pime (ALP).

Percebem? O provérbio nos ensina a não correr, mas a observar atentamente o crescimento constante do nosso trabalho educativo.

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