MENOS É MAIS
NA NOVA ECONOMIA

O decrescimento é uma nova proposta de pensamento econômico
que propõe a redução controlada da produção de bens,
com o objetivo de promover relações equilibradas
entre a humanidade e a natureza.
Uma tentativa de aliar desenvolvimento responsável
com ambiente e qualidade da vida.

C
omo viver em um mundo de crescimento ilimitado num planeta onde os recursos humanos e, principalmente, naturais são limitados? A lógica neste caso não bate e exige de todos nós um pensamento mais questionador sobre essa situação. É isso que propõe a ideia do decrescimento discutida pelo filósofo e economista Serge Latouche. De acordo com ele, falar de decrescimento “significa imaginar não somente um novo tipo de economia, mas também um novo tipo de sociedade”. Um lugar onde se produza menos, mas que também se consuma menos.
Uma sociedade onde instituições e sociedade civil sejam compatíveis com a sustentabilidade ecológica, uma relação harmônica entre humanidade, natureza e justiça social que parece ser possível, de acordo com o decrescimento. Seguir o modelo atual de desenvolvimento só nos levaria à autodestruição.

 

Entendendo a proposta

Os apoiadores dessa ideia desenvolveram dois planos para sustentar a proposta. O primeiro deles fica no campo individual, com a escolha de um estilo de vida chamado de “simplicidade voluntária”. Ao optar por esse estilo, a pessoa adota uma filosofia de vida que não se prende aos modismos e exageros propostos pela publicidade e pelo mercado. Escolher uma vida simples, que ofereça mais tempo à espiritualidade, saúde, qualidade de vida, ao tempo com a família e amigos; preservação ambiental, justiça social. Uma postura anticonsumismo, que em nada tem a ver com a noção de “pobreza forçada”.

O segundo plano da proposta desenvolve-se em nível global, com uma reorganização das atividades econômicas focando a redução da marca ecológica, o consumo de energia e o impacto ambiental e, principalmente e primeiramente, as desigualdades sociais.

As pessoas que apoiam o decrescimento afirmam que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), não gera bem-estar, pelo contrário, proporciona ainda mais desigualdade. Uma ideia que segue na contramão do senso comum da sociedade chamada de “moderna”.

O decrescimento sinaliza para a necessidade de ruptura com o pensamento atual. Nessa direção, não aceita os conceitos de “crescimento verde” ou “desenvolvimento sustentável” e indicar seguir na rota de abandono da meta do crescimento pelo crescimento.

O principal argumento é direto: A população mundial mais rica, aproximadamente 20%, consome 86% dos recursos naturais disponíveis hoje no planeta. Isso que significa que, para que os mais pobres possam consumir mais, é necessário que a parcela mais rica diminua o nível do seu consumo. Sendo assim, a proposta de decrescimento não é para todos os lugares e pessoas, ela é seletiva. Os maiores beneficiados por ela seriam os mais pobres.

O BRASIL PRECISARIA DE DUAS TERRAS para se manter COM O ATUAL PADRÃO DE CONSUMO GLOBAL


dia-da-sobrecarga
T
odos os anos o Planeta atinge o chamado “Dia da Sobrecarga”, quando já se usou mais recursos da natureza do que a Terra é capaz de repor no ano inteiro. O cálculo para se chegar a essa informação é feita pela empresa Global Footprint Network em parceria com mais 90 organizações ligadas às questões ambientais. Em 2016, essa marca foi atingida no dia 8 de agosto. Na ocasião, a humanidade entrava no vermelho – mais cedo do que nunca – no uso dos recursos naturais. A expectativa, nada boa, é que a marca para esse ano seja alcançada entre os meses de julho e agosto.

Atualmente, a humanidade consome os recursos numa intensidade com a qual o planeta Terra é incapaz de oferecer. Em termos matemáticos, cada humano tem 1,8 hectare à disposição para satisfazer suas necessidades básicas de uma maneira ecologicamente sustentável. Só que o consumo necessário depende do estilo de vida do indivíduo: o alemão médio, por exemplo, consome 5,1 hectares.

A queima de combustíveis fósseis e de lenha é responsável por 60% da nossa “pegada ecológica” (a quantidade de recursos naturais necessários para manter nosso estilo de vida). Em números absolutos, China, EUA, União Europeia e Índia são os maiores emissores mundiais de CO2. O consumo per capita, no entanto, coloca essa estatística em perspectiva. Em termos puramente matemáticos, cada um de nós tem duas toneladas de CO2 em sua conta se quisermos manter o aquecimento global abaixo de 2 graus célsius.


1000-litros-grafico

A água está ficando escassa

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima que quase metade da população mundial vai sofrer com a escassez de água a partir de 2030. Reservas subterrâneas estão ficando cada vez mais escassas e estão cada vez mais contaminadas. O nível de poluição nos rios, lagos e outros reservatórios de água provocado pela agricultura e emissão de esgoto é tão alto que a água não é própria nem mesmo para o consumo animal.

Caso a população mundial chegue a 9,6 bilhões em 2050, serão necessários quase TRÊS VEZES O SEU TAMANHO para manter o atual estilo de vida da humanidade.

 

Publicado no Jornal Transcender de julho/agosto 2017
Telefone: (11) 5549-7295
Fax: (11) 5549-7257
Rua Joaquim Távora, 686
04015-011 Vila Mariana, São Paulo - SP