O impacto da Cultura Digital

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Como evangelizar pela internet

Com a Internet entramos na chamada “cultura digital”, ou seja, um mundo com novas formas de se comunicar e relacionar. Tecnologias que avançam tão rapidamente como a própria velocidade da rede.

C
ada tecnologia colocada na sociedade é mudada logo em seguida”. É o que diz a especialista em marketing digital, escritora e palestrante Martha Gabriel. Segundo ela, é impossível pensar o mundo, como o vemos hoje, sem estarmos conectados. “Não conseguimos imaginar o mundo sem eletricidade. Eu diria a mesma coisa em relação à Internet”, diz Martha.

Se a Internet provocou uma revolução no mundo, outra revolução aconteceu a partir dela: o conceito Web 2.0 com as chamadas redes sociais. Estas permitiram que nossa vida fosse compartilhada pelo mundo.

“Na verdade, já vivíamos em rede, ou seja, todos nós tínhamos amigos na rua, na escola, no trabalho; mas, com a Web 2.0 e as redes sociais, temos uma plataforma para viver isso de forma on-line”, diz Armindo Ferreira, jornalista e também especialista em marketing digital.

Para muita gente, no entanto, o fenômeno das redes sociais, como Twitter e Facebook, são “modinhas” passageiras, mas não é isto que pensa Armindo. Segundo o profissional, as mídias digitais vão, sim, passar por transformações, mas vieram para ficar. “Enquanto estudava a história da comunicação, eu imaginava como deve ter sido impactante o nascimento da TV. Agora assistimos ao surgimento de uma nova mídia que molda o comportamento das mais novas gerações; então, não é mais uma moda”, explica Armindo.

Para se ter ideia de como estas novas mídias influenciam nossa cultura, sempre mais, uma pesquisa de 2011, nos EUA, assegurava que um em cada oito casais se conheceram nas redes sociais. E é bom lembrar que as ditaduras do mundo árabe caíram após jovens organizarem manifestações nas páginas do Facebook, o que ficou conhecido como a ‘Primavera Árabe’. Desde 2010, empresas multinacionais têm migrado boa parte de sua publicidade para estas novas mídias.

No entanto, nem tudo é um mar de bits e amizades coloridas na Internet.

Os transtornos do mundo digital

Se vimos nascer a cultura virtual, também estamos sujeitos a conviver com os seus próprios transtornos. A superexposição, a necessidade premente de sempre adquirir a mais recente novidade tecnológica, o vício em estar constantemente conectado são alguns dos limites deste novo mundo.

De acordo com recentes estudos da Universidade de la Salle, nos Estados Unidos, existem mais de 2,2 bilhões de usuários de Internet no mundo. Deste número, cerca de 50 milhões podem ser considerados viciados.

“A pessoa é viciada na Internet quando passa a ter prejuízos na sua vida cotidiana, porque só fica on-line. Ela deixa de estudar, trabalhar e ter um saudável convívio social real, só para ficar na web”, analisa a psicóloga Renata Maransaldi, que trabalha no projeto AnjoTI, grupo que oferece ajuda às pessoas com transtornos compulsivos, como o vício de jogos, de compras e de excesso de Internet.

Para a especialista, a pessoa muitas vezes não se dá conta de que está trocando as suas relações pessoais, como o convívio com a família e com amigos, pelo mundo cibernético.
“A pessoa que se programa para ficar duas horas conectado, mas passa oito ou mais, até mesmo o dia inteiro, precisa de urgente ajuda profissional”, alerta Renata.

“Rede social é espaço público. O que você não gostaria de fazer no mundo off-line não faça no on-line”, diz Martha Gabriel, referindo-se ao fenômeno da superexposição nas redes.

Religião e cultura digital

Se a internet é um mundo no qual as pessoas se relacionam e partilham tudo, terá Deus um espaço nele? A fé e a religião têm vez e voz na nova cultura?

“Sim! Deus está no mundo
on-line, porque o homem está presente aí”, diz padre Antônio Spadaro, doutor em teologia da comunicação pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Segundo o sacerdote, é preciso mudar o conceito de que a Internet é apenas um instrumento, um meio de comunicação.
“A rede virtual é um ambiente de vida que exprime o desejo mais antigo do homem: conhecimento e relação”, relata o sacerdote.

Será que nós, cristãos, testemunhamos o rosto de Cristo neste mundo? Por ventura, não somos tímidos neste campo de missão? Uma pesquisa realizada com cristãos do Reino Unido apontou que 64% dos entrevistados usam a Internet para postar conteúdos religiosos, sendo que a faixa etária de 16 a 18 anos responde por 87% das pessoas que evangelizam, intencionalmente, por tais meios.

“Não se trata apenas de postar conteúdos religiosos na rede. O cristão deve ser ele mesmo, dar testemunho de sua fé; é assim que ele evangeliza”, diz padre Spadaro, que ainda faz um alerta: “A evangelização é testemunho”.

A Internet muda o mundo e somos os protagonistas desta mudança. Nesta cultura já nos inquietamos com algumas perguntas: Como será o futuro? O que nos reserva este mundo de inovações e tecnologias? Como viverão as próximas gerações?

Estas indagações serão respondidas pela nossa vivência neste mundo de hoje.

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