O terrorismo islâmico corteja a América Latina

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Atentado a Buenos Aires

Atentado na associação israelita AMIA – Buenos Aires 1994

Fronteiras porosas, crime organizado, facilidade de tráfico e corrupção permitem
que núcleos terroristas do Oriente Médio cheguem, amparados
por correligionários aqui estabelecidos há tempos.

O extremismo financiado pelo Irã e o que se reconhecia no qaedismo de Bin Laden fizeram prosélitos na América do Sul na metade dos anos 90. Fronteiras frágeis, crime organizado, tráfico à solta e corrupção facilitaram a chegada, inclusive graças aos correligionários já estabelecidos na região.

Uma imigração antiga, reforçada por quem havia fugido de guerras ou simplesmente procurava fazer fortuna. Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Chile e Paraguai representam o teatro geográfico. Dois graves atentados contra a embaixada israelense (março de 1992) e a associação judaica Amia em Buenos Aires (julho de 1994), com 85 mortos, representaram a prova evidente da ameaça. Casos jamais resolvidos oficialmente, no centro de intrigas internacionais, com os xiitas entre os principais suspeitos durante um conflito à distância contra Jerusalém.

Na Tríplice fronteira

Não faltaram detenções de jihadistas vizinhos do universo de Osama, inclusive de um egípcio, descoberto na Itália, entre Milão e Florença. Chamavam–no de “o colonizador” porque tecia ligações, propagandas e ações em nome da guerra santa.

O Partido de Deus, libanês, utilizou a plataforma da Ciudad del Este, situada nas fronteiras da Argentina, Brasil e Paraguai, conhecida pelo comércio de mercadorias contrabandeadas. Aí abriram mesquitas para rezar e, ao mesmo tempo, exercer atividades comerciais para financiar a guerrilha no Líbano. Em parte, o panorama mudou após os ataques de 11 de Setembro de 2001 nos EUA. Maiores controles e uma colaboração mais estreita entre os países induziram os extremistas a uma cautela maior, mas sem renunciarem à sua “profissão”.

Ramificações

Além disso, Hezbollah e Irã atuaram na Venezuela, no Caribe e em outros países latino–americanos. Essencialmente, investiram em longo prazo traçando relações, ampliando participações econômicas, criando estruturas a serem úteis no futuro. Para alguns especialistas o perigo não seria assim tão alto como sugere Donald Trump. A sua avaliação é que o interesse dos mullah é político e comercial, portanto limitado, em vista da distância da esfera de influência. É possível que o quadro seja menos nítido, com aspectos a serem, todavia, considerados à luz das tensões crescentes entre os EUA e o Irã, através do libanês Mohamed Ghaleb Hamdar, militante Hezbollah, preso no Peru.

A questão peruana

A história de Hamdar é a de um agente inativo. Entrou no Peru em 3 de novembro de 2013, utilizando um passaporte de Serra Leoa e chegou à localidade de Yurimaguas, no norte do país. A viagem tinha um objetivo preciso: casar-se com Carmen Pilar, uma senhora peruana, cidadã americana, residente em Orlando. Não por amor. Por “serviço”, para ter um álibi legal. Encontraram-se no Peru em março; depois partiram. Ele ao Líbano, ela à Flórida. Reuniram-se de novo em julho de 2014. Hamdar chegou a Lima no dia 9, via Brasil. A mulher, no dia seguinte. O libanês obteve documentos e residência com a ajuda de Carmen. Alugou um apartamento, encontrou trabalho. Aparentemente, um par perfeito, que apenas queria um lugar ao sol. Seus movimentos, porém, eram monitorados pela polícia, provavelmente via agentes israelenses.

Em 9 de outubro Carmen voltou aos EUA em viagem suspeita. Os agentes aumentaram a vigia sobre Hamdar, que raramente saia da casa. O comportamento suspeito levou-o à detenção em 28 de outubro. Durante a fase investigatória, ele fez revelações e confirmou o método utilizado pelo Hezbollah em escala global.

A técnica prevê: 1) Empréstimos a militantes que já têm passaporte europeu ou ocidental. 2) Infiltração nos estados do Oeste. 3) Casamentos com mulheres locais como álibi. 4) Discreta atividade de espionagem à espera da chegada de cúmplices, caso a organização decida atacar. 5) Relações com agentes do movimento.

As acusações, graves, foram rejeitadas pela facção pró-Irã: “São apenas intrigas”. Mas a história de Hamdar não é o único e firme compromisso político do Partido de Deus em algumas áreas do Peru, com o conluio de entidades locais. O fato é que foram revelados elos em vários documentos, especialmente em Apurimac, com um militante do Estado Islâmico (EI), originário de Trinidad e descoberto em um vídeo de propaganda.

O caso Trinidad

O fenômeno surgido em Trinidad e Tobago tem cor diferente. Da ilha, uma centena de militantes partiu para a Síria e o Iraque. Outras fontes falam de 400 insurretos. E muitos engrossaram as fileiras do EI. Um número expressivo em uma população muçulmana de 104 mil pessoas. Daqueles, a polícia turca interceptou nove em um posto na província de Adana. Haviam entrado após um longo giro: de Port of Spain a Caracas, depois a Amsterdã; enfim, a Turquia. Uma captura semelhante à de outros caribenhos. Evidencia-se uma tendência

A radicalização dos ilhéus tornou-se possível por uma progressiva deterioração da situação socioeconômica e do proselitismo de inspiração wahabita, mantido por indivíduos ou associações no Golfo Pérsico. Com uma significativa particularidade.

Em julho de 1990, uma facção extremista islâmica lançou uma série de ataques armados contra instituições. A revolta foi duramente sufocada. Um episódio que assegura uma espécie de “tradição” radical.

Atualmente, as autoridades estudam contraofensivas, investigam e aumentam o filtro.
O temor é idêntico ao que vivem países como a França, a Bélgica, a Alemanha. Veteranos do conflito medio-oriental poderiam reentrar para desferir ataques. E um ataque no Caribe causaria um impacto notável.

Guido Olimpio é Jornalista italiano. Texto original: “Perché il terrorismo islamico spaventa anche l’America Latina”. Jornal italiano Corriere della Sera, 6/2/2017
Publicado na Revista Mundo e Missão de maio 2017
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