Religião: Deus, do latim…

Religião: Deus, do latim…

Nos vários cantos do mundo, em diversos países e culturas a representação e definição de Deus são diversas. No final de tudo, ninguém está certo, tampouco errado.

Um homem, uma mulher, uma luz, uma energia ou uma força que ordena tudo. Esses são termos que muitos utilizam para explicar o que ou quem é Deus. Seguindo duas das definições do dicionário Aurélio seria: “1. Ser infinito, perfeito, criador do Universo. […] 5. Princípio supremo de explicação da existência, da ordem e da razão universais, e garantia dos valores morais”. Podemos apontar estas classificações como laicas, ou seja, que não estão sujeitas a nenhuma religião. Nesse sentido, fica fácil entendermos o que ou quem é este Ser. No entanto, não é bem por aí.
Das tribos da Polinésia aos cristãos do Brasil; dos povos tribais da Austrália aos judeus de Israel, todas essas expressões religiosas possuem sua definição sobre um ser superior. Existem os politeístas, que creem em mais de um deus; os monoteístas que compartilham a ideia de uma divindade única; os henoteístas que acreditam na existência de vários deuses, mas que apenas um possui a qualidade suprema.
Quando uma pessoa, um brasileiro, por exemplo, utiliza a palavra “deus”, não temos como saber se ele está se referindo a uma concepção panteísta, como o da maioria das religiões espíritas; uma monoteísta como o Judaico-cristão ou então a alguma ideia mais abstrata como a simples “Consciência Universal”, ou mesmo as leis de causa e efeito da natureza. Ou seja, “deus” são muitos… Ou não é nenhum, pelo menos para os ateus.

A ação sobrenatural
Desde séculos passados, os seres humanos sempre se preocuparam em entender como as coisas aconteciam, como os fenômenos naturais ocorriam, como a humanidade chegou ao que é hoje ou como o universo surgiu. Todas as argumentações mitológicas davam contam, até certo ponto, de explicar a origem do mundo e de todos os seres. A chuva se dava por intermédio de um determinado deus; a seca, por causa da raiva de outro; o amor seria possível pedindo a uma deusa específica, e o conforto póstumo era responsabilidade de outro.
A ciência encontrou muitas respostas com o passar dos tempos, porém uma infinidade de mistérios ainda fica a cargo do sobrenatural. Ou seja, tudo aquilo que está em desacordo com a natureza do nosso mundo, o incomum, o estranho, algo que fuja de qualquer explicação racional e lógica. Eis o mistério da fé.
Estes fenômenos raros, que podem ser chamados de milagres, seriam intervenções diretas de Alguém com poderes além de nossa compreensão, a ação direta de um deus.

Por Thiago Perin, do Portal Tríada

Maior do que uma ideia
Para Anselmo da Cantuária (1033-1109), mais conhecido como Santo Anselmo, podemos deduzir a existência de Deus da mera ideia de Deus. Para ele, por definição, sendo Deus um ser obrigatoriamente perfeito, logo deve existir. Ou seja, a existência pertence à ideia de perfeição.
Esse é o chamado “argumento ontológico”, um dos mais famosos pensamentos filosóficos sobre a possível existência de um ser divino. No entanto, existem críticas que apontam que o argumento é falho, pois não se pode ter certeza da existência de algo só partindo da ideia de que esse algo é perfeito. Mas Santo Anselmo estava ciente do problema e respondeu que o argumento ontológico funciona apenas para Deus. Isso porque a relação entre Deus e grandeza ou perfeição é única.

O poder é do homem
O pai do movimento comunista, Karl Marx (1818-1883), sempre foi um ateu radical. Para ele, a fé em Deus não passa de uma ilusão. “Urge, portanto, desmascarar esta ilusão a fim de restituir ao homem a dignidade perdida da sua interioridade infinita”, disse. Marx conclui que acreditar em Deus tira do homem a consciência de sua própria grandeza: “mais o homem coloca realidade em Deus e tanto menos resta de si mesmo”.
Por isso, é comum dizer que marxismo e ateísmo não podem ser dissociados, já que a própria consciência que o homem tem de si – o principal ponto da filosofia defendida por Marx – exclui completamente a possibilidade de Deus.

Supremas perfeições
O francês René Descartes (1596-1650) propôs dois argumentos em prol da existência de Deus. Um deles encontra-se na obra “Princípios da Filosofia”. Ele explica: “pela luz natural é evidente não só que, do nada, nada se faz, mas também que não se produz o que é mais perfeito pelo que é menos perfeito (…). Não pode haver em nós a ideia ou imagem de alguma coisa da qual não exista algures, seja em nós, seja fora de nós, algum arquétipo que contenha a coisa e todas as suas perfeições (…). E porque de modo nenhum encontramos em nós aquelas supremas perfeições cuja ideia possuímos, disso concluímos corretamente que elas existem, ou certamente existiram alguma vez, em algum ser diferente de nós, a saber, em Deus”.

“Deus está morto!”
A frase emblemática de Friedrich Nietzsche (1844-1900) é sempre lembrada quando o assunto é religião. Para Nietzsche, há vários indícios de que Deus não existe. O principal deles é que a simples existência do mal (crime, doenças, sofrimento etc.) no mundo nega a existência de um ser benevolente e Todo-Poderoso. Segundo o filósofo, a ideia de Deus poderia ser autocausada pelo fiel – de novo, uma ilusão. “Rogo-vos, meus irmãos, permanecei fiéis à terra, e não creiais naqueles que vos falam de esperanças de outros mundos”, escreveu. E continuou:
“A humanidade moderna precisa enterrar Deus e seguir em frente que é tudo o que existe”. Nietzsche não deixa espaço para a ambiguidade na interpretação de suas palavras: Não há Deus ao qual devamos ser fiéis. Logo, cada pessoa é exortada a permanecer fiel à terra”.

 

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