“Somos tratadas como animais”

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U
ma das primeiras sensibilizações de dom João Batista Scalabrini sobre a situação em que viviam os imigrantes italianos foi a carta que ele recebeu de um antigo morador de sua diocese, emigrado para o Brasil. Naquela carta, o migrante pediu que o bispo enviasse padres para “ministrar os sacramentos aos italianos, pois estes viviam sem qualquer acesso aos sacramentos e eram tratados como animais”. As condições desumanas que os imigrantes eram submetidos tocaram profundamente o coração de dom Scalabrini e o inspiraram a uma espiritualidade missionária voltada aos migrantes.

Mais de um século depois daquela carta, em março último ouvi pessoalmente a mesma expressão de uma emigrante brasileira aqui nas Filipinas. Yasmin é uma jovem de 20 anos que foi presa no aeroporto internacional de Manila, em outubro do ano passado, porque trazia drogas na bagagem. No começo deste ano estive na Embaixada Brasileira para alguns documentos pessoais e os oficiais de chancelaria partilharam a situação da jovem e me pediram um auxílio a este caso. Fiz a intermediação com a comunidade de religiosos brasileiros aqui nas Filipinas. Logo nos organizamos e as primeiras religiosas a visitarem Yasmin foram Luciane e Maria José, da congregação Pobres Servas da Divina Providência.

Em 10 de março tive a oportunidade de acompanhar a irmã Luciane na visita ao presídio, onde me encontrei com Yasmin. Quando perguntei como ela se sentia, desabafou: “Somos tratadas como animais!”. Na visita, conversamos também com a Jenifer, uma jovem imigrante da Venezuela, presa na mesma situação.

Pedagogia da presença

Elas estão confinadas em uma casa provisória, pequena, abafada, sem acesso à luz do sol e com péssimo odor. O caso de Yasmin foi noticiado em uma reportagem do programa Fantástico (5 de março) sobre a situação das drogas nas Filipinas, com perseguições e assassinatos na “Guerra contra as drogas”, um plano gestado pelo atual presidente Rodrigo Duterte. Naquela visita pude realmente aprender aquilo que o papa Francisco ensina como “pedagogia da presença”, que é a criatividade de saber como estar perto de quem sofre. A condição mais importante para esta pedagogia nos presídios é não usar nenhuma expressão de julgamento moral. Apenas o sentimento obrigatório de misericórdia. Ir. Luciane e eu nos colocamos na condição de escuta para tudo o que Yasmin e Jenifer quiseram nos transmitir, especialmente quando evocavam suas famílias.

A visita foi rápida, mas o suficiente para brotar esperança no sorriso delas. É a única resposta que os missionários brasileiros podem oferecer a estas jovens. Precisamos fazer todo o esforço para resgatá-las e não permitir que sejam tratadas como animais. Continuaremos a visitá-las!

Publicado na Revista Mundo e Missão de maio 2017
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