A VIDA ESTÁ EM LUTA

Apocalipse 12, 1-6

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V
ocê já imaginou como é um dragão? Grande, forte, com traços marcantes… Aqui, neste texto, o padre Franco Cagnasso coloca o dragão como uma metáfora do medo e das coisas que não gostaríamos que acontecesse. Então, quais seriam os dragões que existem hoje?

“O dragão colocou-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho, logo que nascesse” (Ap 12,4). O Apocalipse traz imagens desconcertantes e brutais, de luta impiedosa por parte do dragão que quer aniquilar a criança que nasce da mulher “vestida de sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1). Esta mulher é o símbolo da Igreja, que dá ao mundo Jesus, e o dragão é Satanás, que, com todas as suas forças maléficas, quer derrotá-lo. Mas, e as crianças de hoje não têm nada a ver ou devem se preocupar?

Há alguns anos uma jornalista indiana fez uma pesquisa entre clínicas particulares de seu país, e descobriu que muitas encorajavam o aborto seletivo: se fosse uma menina, decidia-se pelo aborto. O motivo era simples: as meninas, para se casarem, precisavam (como hoje ainda precisam) pagar o dote – uma quantia que, na Índia, principalmente entre os hindus, tornou-se cada vez mais insuportável de ser paga pela família. Então, a solução era (e é) simples, ao invés de corrigir um costume social absurdo, eliminava-se as meninas antes de nascerem. Para elas, o “enorme dragão vermelho” do Apocalipse era o silencioso ambiente de uma clínica de luxo…

Na China não era muito diferente, pois até recentemente (2015) a lei impunha que os casais tivessem somente um filho. Se fossem dois, aumentariam as taxas, se fossem três, pagava-se multa e, em certos casos, era obrigatório o aborto: o “enorme dragão” era uma lei do governo…

E na Europa, na América? Pode ser o medo das críticas dos vizinhos, o aborrecimento devido a um nascimento não ‘programado’, a preocupação de que um filho a mais custe caro e abaixe o nível de vida da família, a ideia de que uma criança não perfeitamente sã não será feliz e então é melhor eliminá-la…

Não são “dragões enormes” as organizações mundiais das drogas que destroem a vida?

Mas que fim levou o filho da “mulher vestida de sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”?

Jesus veio entre nós como uma criança e havia um dragão terrível para destruí-lo. A luta foi tremenda: Jesus incomodava com sua liberdade diante dos poderosos, seu amor pelos últimos e seu perdão para todos. Por isso, foi rejeitado e levado à morte. Mas o Apocalipse nos lembra que ele “foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono” (Ap 12, 5). Com a ressureição, a “morte foi engolida”, escreve São Paulo à comunidade cristã de Corinto (1 Cor 15, 55).

Os dragões de hoje

Vemos o dragão em nosso meio, procurando e matando meninas antes que nasçam; esperando garotos para levá-los ao mundo das drogas e da violência; colocando nos governantes a vontade de se tornarem cada vez mais poderosos e, nos ricos, a vontade de enriquecerem cada vez mais; olha sorridente enquanto os povos se ajoelham às divindades que se chamam ‘moda’, ‘bem-estar’, ‘modernidade’, ‘prestígio’…

Mas são dragões derrotados!

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